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(Crédito: Reprodução/ Instagram)
Quando a Cimed anunciou Toguro como Head de Comunicação, o mercado reagiu com algo próximo de pânico. Não foi apenas uma discordância pontual ou um debate técnico. Foi uma reação quase instintiva de defesa. Posts, análises e críticas surgiram rapidamente, mas por trás da discussão sobre formação e qualificação existia algo mais profundo: a sensação de que uma regra implícita havia sido quebrada.
Toguro não tem MBA em marketing, não construiu carreira dentro de departamentos tradicionais e não seguiu a trilha clássica de validação corporativa. O que ele tem é audiência, linguagem cultural e resultado público. Ele construiu atenção antes de conquistar um cargo. E isso expôs uma tensão silenciosa dentro do mercado: se alguém pode chegar a esse nível sem passar pelos mesmos rituais institucionais, o que isso diz sobre os critérios que sempre foram defendidos como inegociáveis?
A crítica oficial foi direta: falta de formação.
Executivos e acadêmicos argumentaram que marketing exige método, processo e métrica, e estão certos. O que ficou evidente, porém, é que muitos confundem domínio do discurso técnico com responsabilidade real por resultado, como se explicar marketing fosse o mesmo que sustentar vendas consistentes. Planejamento bem apresentado não sofre quando falha, slide não paga prejuízo e argumento sofisticado não carrega a pressão de bater meta.
É aqui que entra um conceito pouco confortável: skin in the game.
Quem vive de apresentações geralmente não testa no próprio CPF e, quando a estratégia não converte, ajusta a narrativa; quando não performa, troca o enquadramento. O risco costuma ser reputacional, não financeiro ou estrutural. Toguro construiu sua trajetória no ambiente mais implacável possível, o digital, onde a atenção é mensurável, imediata e cruel: ou você gera relevância ou desaparece, os erros são públicos e os acertos também. Isso, porém, não significa que influência substitui estratégia, porque influência isolada é ruído e estratégia isolada é invisível, a força está na combinação.
A decisão da Cimed não foi um movimento impulsivo ou amador, mas uma escolha híbrida: usar atenção como combustível para uma máquina que já possui produto, operação e distribuição consolidados.
Não se tratou de substituir estrutura por carisma, e sim de acelerar uma estrutura existente com um ativo que o mercado aprendeu a valorizar, a capacidade de gerar atenção em escala. O incômodo real talvez não esteja na nomeação de um creator para um cargo estratégico, mas no deslocamento de poder, porque durante décadas a autoridade foi associada quase exclusivamente a currículo e trajetória formal, e hoje o mercado adicionou um novo critério: capacidade comprovada de gerar resultado sob exposição constante.
Não é uma disputa entre diploma e prática. O que mudou foi a ordem de importância quando o assunto é relevância competitiva.
Atenção se tornou ativo econômico, e quem controla atenção influencia decisões. Quem nunca precisou transformar visibilidade em venda tende a defender o jogo antigo com mais convicção.
O caso Toguro não é um desvio isolado, é um sinal de transição. Marcas já entenderam que influência quando conectada a operação sólida, pode acelerar crescimento. Parte do mercado ainda resiste porque essa mudança exige mais responsabilidade individual.
Esse movimento não se limita a creators ou grandes empresas. Ele alcança qualquer organização que ainda acredita que marketing é principalmente narrativa. O novo critério é direto: funciona ou não funciona? Gera venda ou não gera? Constrói relevância real ou apenas percepção temporária?
No fim, o colapso não foi do marketing técnico. Foi do marketing confortável. Daquele que nunca precisou sustentar resultado sob pressão pública.
O mercado já começou a escolher. A pergunta é se os profissionais e as empresas vão acompanhar essa mudança ou continuar defendendo um modelo que depende mais de validação institucional do que de performance concreta.
Na prática, o que está em jogo não é quem tem diploma ou quem tem audiência. É quem consegue transformar estratégia em crescimento mensurável. E essa é uma métrica que não aceita PowerPoint como prova final.
